POESIA II (03/04/09)

Tempo subjetivo, esquisito, aflito, sem hora, sem risco,
Rabisco organizado, caos desamontuado, desacostumado,
Escrachado, afobado, desregulado, derrotado,
Abrigo dos fracos é o seio da terra deserdado,
Servindo de capacho para os cegos olhos atordoados,
Tempo louco, rouco, barroco, escroto, ridículo, tenebroso,
Sem rima não há alvoroço, sem clima não há choro,
Sem agulha não há alegria, sem música, banho de água fria,
Amigos dos solitários é a cera da vela esgotada,
Cujo fogo extinguido é enjaulado na escuridão do tempo.
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POESIA (02/04/09)

Luzes no horizonte, sem medo, sem fronte,
Olhos crescem aos montes, mas olhando pra onde?
Coisas estranhas, a solidão me atormenta,
Ferozes aranhas, a dor ainda me agüenta?
Felicidade, prato servido frio sem coragem,
Cumplicidade, nada a ver, exageros à parte,
Miragem, lágrimas perdidas à margem do absurdo,
Quando o sangue dos inocentes nos leva aos delírios
Alucinados e adjacentes dos abusos,
Elixir que desce amargo e ríspido
Bebo mais um pouco e logo me engasgo, mas logo repito
Palavras que surgem vazias, sem fogo, mas feridas
Começam a fazer sentido, os relógio sem horas
E os calendários sem dias, os espelhos sem reflexos
E os prismas sem vida, carência de carinho,
Quando e como o amargo vinho, crescerá como árvore de pinho,
Comece pelo começo e repita o tortuoso caminho.
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(POESIA) O POR QUÊ DE ESCREVER (PARTE 4)

Escrever... Escrever o que?
Escrever o que for,
só pela necessidade,
pelo prazer de escrever.
Não sei o que escrever,
Apenas o quero fazer.

Escrever para poder
Sentir o prazer de ler.
Vontade de escrever,
É irrelevante
Pensar também.
Pode se tornar maçante.

Mesmo que escrever
e pensar não rimem,
escreva antes que as idéias
o abandonem,
e te deixem só
ou outrem;

Te largam, te deixam de lado,
Voam de uma mente trabalhadora
Entram por um ouvido enevoado.

Quando os pensamentos fogem
Isso o deixa frustrado.
Frases prontas são esquecidas,
E você fica emburrado.

Quem mandou não gravar,
escrever, editar,
tudo o que pensa, seu tapado?

A minha mente vagueia,
Pensa em coisas que até
Me desnorteia;
Vai à lugares distantes,
Estranhos, esquisitos
E sem habitantes.

É assim que eu funciono.
Quando imagino que nada de bom surgirá,
Nada fantástico, diferente,
Autêntico, imprudente, ocorrerá

Meus olhos esbugalhados ficam
Porque meus pensamentos não cessam
Eles se intensificam,
Crescem, aumentam, enobrecem.

Oh, bem (mal)dita mente
incompreendida,
solitária,
incansável,
alfandegária, desprendida
do incomensurável arbitrário
que se solidifica
sem meu bem-querer,
nessa estranha necessidade,
necessidade essa de escrever.

(Escrita em 06/11/2009)
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